quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Da renúncia para a criação




   A somar e mensurar com uma avaliação de forma nua, justa e mais cabível do ano em que vivi, não serei comedido ao dizer-me de todas as desgraças que me fizeram valer a mais profunda resistência, a saber que logo foram a origem de meus concisos mas penetrantes momentos de felicidade.
   Uma alma suave certamente opõe-se por pouco tempo frente a batalha dos guerreiros modernos, feras mortais, homens instintivos que aprenderam sem descanso a infundir  o sangue frio e os gracejos para transcender a lacuna que se faz presente em seus corações.               
   São indivíduos que apresentam formas autodidatas na maioria de suas ações, entretanto não conseguem depositar energia na criação fora de suas vertentes de sobrevivência,  assim o que é considerado como cultura iminente extravia suas cabeças, e a voz do momento também fala por eles, é essa a tua voz.
   Há em qualquer homem deste meio lapsos de exasperação,  que tomada a consciência franca exige que imediatamente recorram á fantasias supra terrestres, sua fuga é falha,  tua mentira é torpe, causa dependência, como poderiam então estes homens ao examinar suas vidas, respectivamente enxergá-las como única e terminante perante esse estilo de vida,  eu vos apresento sua maior fraqueza, olhar para a vida como ela é, o que fizemos dela em curto espaço de tempo, em concorrência constante e sob pressão, as vias de fato, ameaças de morte, fatalidades decorrentes da pressa, enfermidades terríveis e aleatórias, sua vida sob a ótica coletiva, insultos, humilhações, opróbrio. 
   Eis a arte e a solidão, corolário ideal do nosso poder de criação, nessas ocasiões troca-se o inimigo, logo ao afastar-se dos fantasmas associativos à cultura supracitada, o homem que se submete a estabelecer por muito a condição de solitário se deparará com lembranças inquietantes, seu passado ao te cercar te fará desejar exorbitantemente o olvidamento, e antes que se possa metrificar queimará seu espírito, e todo aquele que ousar carregar a sua cruz sucumbirá; haja vista que faz parte do criador encontrar momentos de leveza para explorar, aí então precisará da arte para elevar-se, somente que trilhará para saber onde encontrar-se-á.